quarta-feira, 16 de maio de 2012

Zarayland 18

Depois de marromenos dois meses sem atualizar meu blog, consegui um tempinho para a edição dezoito. Reavaliei tudo que já fiz e dei uma guaribada de 1 ano do Zarayland (sim, não teve comemoração mas o Zarayland fez aniversário em março! E afinal é “a” ou “o” Zarayland?). E depois de 150 posts, quase 20.000 views chegou a hora de ouvir a voz do povo. E a voz de meus leitores fiéis me diz que é preciso ser mais suscinto. Que me empolguei e que meus textos estavam longos demais. Numa experiência (cada texto tem que caber numa página de Word no corpo 11 da fonte Verdana) espero a resposta de vocês nesta nova edição, que fala, com menos blá blá blá sobre:

- Um curta metragem sobre o poeta Miró, aqui da Muribeca de Recife.

- Coluna Meu Povo sobre Rô Gonzaga e Bruno Piffardini, escritores e poetas daqui. Inaugurando os amigos cá de Recife.

- Um texto que discorre sobre o SPI (Sociedade dos Poetas Íntimos) encontros poéticos “íntimos” – mas nem tanto - que aconteceram em Nova Iguaçu nos anos 90.

- Nova coluna, rápida e rasteira chamada: “Petiscos, Tequinhos e Tiragostos” que vai dar uma geral no que há de bom na rede.

- A coluna que foi sucesso na edição passada: “Memórias de Robson Luy” desta vez fala sobre o Natal (já que pedi para ele outro texto, para deixar este pruma época mais propícia, e mesmo prometendo não me enviou).

- E a já clássica coluna fixa e cada vez mais além, DMV (Discos de Minha Vida) de Marlos Degani, desta vez com o primeiro artista internacional.

E é isso, espero que gostem e que leiam, pois dei uma boa reduzida em minhas memórias prolixas!

Um beijo um queijo e um beliscão de caranguejo!

Cézar Ray

Miró – um filme de Wilson Freire


Um Naldo Calazans (Pregolino) triste. Foi a primeira impressão que o poeta recifense Miró me causou. Thiago Guerra havia me mostrado um teaser deste curta, e ali já, eu havia ficado impressionado com sua verve. Senti aquela imagem amargurada do poeta como um pierrot apaixonado, entre o palhaço e o suicida. Grego, entre o drama e a comédia.

Lembrei-me de uma história que li num quadrinho de Allan Moore que contava a história de um homem que chegando a um consultório de pisquiatria se lamentava de sua vida triste e amargurada, cercado de trevas e mágoas e que já não via mais motivos para continuá-la, demonstrando ao acadêmico sua vontade intensa de se matar. Quando o doutor recomendou-lhe: “Senhor, o palhaço Piccolino está na cidade. Tire um dia de folga e vá vê-lo, dizem que seu humor e sua graça curam qualquer depressão”. O homem começou a chorar e disse: “Porra, Doutor, eu sou o palhaço Piccolino!!”.

Meses depois meu amigo Thiago me presenteou com este filme e pude ver o quanto Miró, o poeta, é mais que uma piada de um escritor inglês. Por mais que pareça contraditório, Miró é o poeta do “Alegrismo”. Miró é o poema de verdade que se faz na carne rasgada, surrada, maltratada e diminuída, mas ainda assim alegre. Vi um filme genial com situações que beiram o hilário quando posto lado a lado poetas ou/e filósofos tentando explicar seus versos. Tentando enquandrá-lo em algo entendível, tangível ou em algo próximo da realidade aceitável. E nada!

Miró é o poema violento, porém doce. Seus versos são assim. Violentos porque o mundo fora apresentado a ele desta forma. Alegres porque esta é a sua bandeira. Assisti um documentário imperdível de Wilson Freire, que usa locações queridas daqui de Recife, como o Mercado da Boa Vista, o CapiBar, as pontes que safenam o Capibaribe para entender o quanto a poesia pode trafegar entre tantos universos paralelos. Falar de amor, de sentimentos bonitos e belos, falar sobre o intangível e o abstrato ou sobre o nada ou apenas existir sem qualquer tipo de direção e explicação. Um filme que mostra que escrever poemas pode ser apenas um exercício métrico e delicado ou o próprio vômito do poeta.

Para ver o curta inteiro, o trabalho é só baixar aqui: http://www.4shared.com/video/6n2hcCCR/Mir.html

Quer saber um cadinho mais de Wilson Freire, diretor deste curta?

Quer conhecer mais um pouco do poeta Miró?

Meu Povo: Rô Gonzaga e Bruno Piffardini

Conheci a Rô no primeiro EnContos aqui em Pernambuco. Simpática e sorridente, empolgada e interessada, se ofereceu para cuidar das fotos do encontro e ao lado de Denise Dantas, clicaram aquela “reunião de bacana” que rolou no Bar Banquete há um ano. E ali virou uma marca registrada de nossas noites.

Bruno Piffardini é poeta de São Paulo, mas que já vive aqui em PE há alguns anos. Ele era o responsável pelo braço literário do bar Banquete e foi o curador dos nossos encontros EnContos. Um excelente escritor, com carisma e gentileza que me fez virar seu fã. Na verdade já havia conhecido este cabeludo em um sarau de poesia que participamos juntos ao grupo Nós Pós.

Rô Gonzaga tem uma inteligência e um carinho fora do comum. Não é de se vangloriar, tímida, mas ao mesmo tempo expansiva. É o tipo de pessoa que não tem como não gostar num primeiro encontro. Quando fui apresentado a ela parecia que nos conhecíamos há anos e nas próximas vezes que nos encontramos já éramos quase irmãos. Com seu inseparável oculozinhos de aro verde e seu sorriso largo foi presença constante e fundamental para aquelas noites maravilhosas e embriagadas de poesia, prosas e contos.

Bruno é professor de Latim da UFPE, dono de tiradas rápidas que contrastam com as “paradas pontuais” que dão a idéia de que está reorganizando todo o cérebro. Vi Bruno uma vez fazendo um stand-up comedy no Bar Borburinho e fiquei perdido e confuso com sua apresentação, não sei se adorei ou se odiei. Seus textos são imãs que quando lidos fazem todos prestarem a atenção e não é incomum atrair ouvintes de outras mesas para acompanhar suas idéias.

Formada em Gastronomia, Rô nunca fez um prato pra gente, amigos contistas. É uma dívida que já tentou pagar, porém ultimamente nossas agendas não andam batendo. Seus versos são viscerais e seus textos cortantes como peixeira! Hora a doçura de sobremesas delicadas, hora crus como comida japonesa, mas na maioria das vezes são picantes como os temperos e especiarias exóticas do oriente!!! Degustar seus versos é como saber que vai arder, mas ainda assim querê-los em nosso paladar!!

Rô Gonzaga e Bruno Biffardini formam um dos casais que fizeram e fazem a diferença em minha estadia por esta “velha terra nova” que é a capital pernambucana. E sei que quando eu voltar para o Rio de Janeiro levarei um pouco de cada um comigo e sei como sentirei saudades dessas duas pessoas incríveis que tive o prazer de conhecer graça a literatura!

SPI – Sociedade dos Poetas Íntimos

Eu e Eud Pestana fomos entrevistados por Stela Guedes para seu jornal “Baixada Notícias” sobre o Desmaio Públiko na Casa de Cultura de Nova Iguaçu em 1992. Quando terminou, ficamos ali bebendo umas cervas na companhia de Moduan Matus e Almeida dos Santos, conversando sobre poesia e sobre o filme “Sociedade dos Poetas Mortos” entre outras viagens.

Acho que foi a Stela quem sugeriu reuniões ao estilo do filme para que lêssemos poemas para nós mesmos, diferentemente de nossas apresentações incendiárias em público e batizou nossa futura reunião de SOCIEDADE DOS POETAS ÍNTIMOS (SPI para os tais...).

O primeiro foi na cachoeira de Adrianópolis nas terras de André Eira. Erramos a descida do ônibus e fomos parar no ponto-final. Voltamos andando e declamando poemas pela estrada. Lembro-me que Moduan Matus leu todo o “Poema Sujo” de Ferreira Gullar nesta caminhada. A primeria reunião contou comigo, Almeida dos Santos, Moduan Matus, Sandro Marschhausen, Lírian Tabosa e os anfitriões André Eira e Simone Lopez, além do pequeno Bruno “Minhocão” filho de Eira. Tomamos banho de cachoeira e de cachaça, nas pedras fizemos relaxamento e exercícios de yoga, declamamos poemas para a mata, para as águas, pro céu e para a gente. Vimos um ninho cheio de filhotes de sacis e mergulhamos profundamente em nós ao sabor dos versos.

O segundo SPI foi na casa antiga da poeta Lírian Tabosa em Cabuçu. Uma manhã linda de outono, onde acordamos bem cedinho (dormimos na Casa de Cultura) com um grupo maior de poetas. Eu, Almeida dos Santos, Sandro Marschhausen, Moduan Matus que desta vez levou sua namorada da época, Verônica “A Musa” além dos poetas JR. Júnior, Alcides Eloy, J.A Lima e Almiracir Segatt. Fizemos Tai Chi Chuan, caipirinhas, cantamos e recebemos um convidado especial: O “Príncipe de Hannover”!

No terceiro SPI subimos o morro do cruzeiro na casa do poeta Moduan. Batizamos a poeta Eliane Souza e recebemos o “mestre-cuca”, saudoso Thales que nos fez um banquete, usando capim (mato), mamão verde entre outras coisinhas numa salada hard. Foi neste dia também que resolvemos tirar a foto nus embaixo do Cruzeiro e que deu uma confusão danada com os moradores da comunidade. Nós não nos contentávamos em ler poesia, tínhamos que vivê-la intensamente e as vezes irresponsávelmente!

O quarto e derradeiro SPI foi na casa nova de Lírian Tabosa em Cabuçu. Numa tarde quente, batizamos os poetas Marlos Degani e Sil com um belo e invejado banho de mangueira. Cantamos, declamamos poemas e curtimos a paisagem linda da Serra de Madureira ao anoitecer. Este encontro foi o que contou com menos poetas e também o último que se tem notícia.

Lírian Tabosa é uma das maiores entusiastas desses encontros. Stela Guedes, criadora da sociedade, nunca foi a nenhum encontro. Acho que os amigos poetas de Nova Iguaçu, poderiam criar uma versão 2.0 destas reuniões que eram tão ricas, libertadoras, alegres, criativas e acima de tudo, muito íntimas!!! Salvem a SPI!

Petiscos, Tequinhos e Tiragostos Zarayland

 

BIROSCA DA FLOR

Blog “Birosca da Flor” é especializado em “Quitutes vegetarianos, verdes e temperados”. Além das receitas saborosas de Flor Baez (também editora do blog Páprica Doce já resenhado nestas páginas) e de seus amigos. Tem um clima super alto astral cheirando a insenso e a poesia, videozinhos simpáticos, climáticos e bem explicativos. Este clipe da feitura da sobremesa MORANGUTA SAGRADO capta bem o clima 3Ds das receitas e da cozinha de Flor. Divertidas, Delicadas e Deliciosas. Sirvam-se!


MEU PAI, NOSSO PAI

Este é o nome, não de um conto, mas sim de uma declaração de amor feita pelo cronista Hugo Mendes Guimarães (Hugudão) a seu pai Fernando Mendes Guimarães em seu Blog “Tirando da Gaveta... Muita Manobra”, periódico que já foi resenhado aqui no Zarayland há uns meses atrás. Vale a pena conhecer esta figura que é Seu Fernando (Gudo) que mesmo descrito pelas lentes carinhosas de seu filho, não é nem um pouco diferente disso.

MEUS NERVOS
O Site “Meus Nervos” é uma descoberta bacanuda. Se você trabalha na área da saúde ou não, vai adorar e rir aos montes com tirinhas e cartuns feitos pelo médico e desenhista “Dr.Solon” sobre o seu dia-a-dia e de seus pacientes. Com um humor mal-humorado, “Meus Nervos” é um ótimo remédio para quem está com “prisão de risos”. Comece dos posts mais antigos para os atuais e acompanhe o crescimento do traço de Solon que agora lembra o do saudoso desenhista italiano Andrea Pazienza.

Memórias de Robson Luy II

Era Natal

Aos sábados era dia de limpeza lá em casa e minhas irmãs arrastavam, enceravam, passavam pano e cheiro gostoso em tudo. À tarde, cheirinho de cera na sala com o piso brilhante, a gente parava, todos juntos, pra comer bolo de fubá e pra assistir mais uma vez “Os Waltons”. A história do cotidiano daquela família que vivia longe lá de casa numa montanha nos Estados Unidos era tão distante, mas muito nossa também.

Quando chegava dezembro, a gente escolhia um sábado pra montar a árvore e a lá de casa era linda. Grande, verde, com bolas de todas as cores mais lindas, com enfeites muito bacaninhas tipo guarda-chuva, botinha, sombrinha, a cara do papai Noel e todos traziam uma história não sei de onde que não era a nossa, mas muito familiar. Como caçula, eu nem sei como aqueles enfeites foram parar lá em casa, mas lá estavam depois que a gente pendurava. No fim de tudo, meu irmão colocava as lampadinhas com aquele pisca-pisca lento, sem pressa e, pra coroar, a estrela pontuda de louça no alto da árvore. Depois a gente sentava pra ver o natal dos Waltons e como o filme era todo narrado em prosa pelo personagem do John Boy, nenhuma música da Rádio Mundial nem nada do que se dizia durante os dias naquela casa, nada conseguia ser tão forte e tão envolvente quanto a poesia daqueles momentos.

Um dia, houve uma confusão num apartamento ao lado do nosso, deu polícia, e o irmãozinho da moça que ficava trancada pelo marido e tinha quebrado o pé, teve que ficar lá em casa algumas horas. Era de noite, a sala apagada, a televisão acesa e a nossa árvore, uma visão do outro mundo, a coisa mais linda, com todos aqueles cartões de natal de nossos amigos e de nossa família, estava lá, com as luzinhas piscando, bem devagarinho, iluminando a neve de algodão. Eu não sabia o que dizer pr’aquele menino, mas nem precisava, a nossa árvore dizia tudo, pelo menos eu achava. E ela não dizia nada com arrogância, nada que nossa família fosse melhor que as outras, nada que nada... ela só dizia as coisas do natal.

Robson Luy é designer profissional, as vezes cantor as vezes ator. Outras – comigo - político. Promete mas não cumpre. Espero que seja o Alzheimer! Mas ainda assim amo este cara!

E se você quiser saber mais, ou contratá-lo é só se ligar em: http://showcante.hd1.com.br/

DMV – PARIS – SUPERTRAMP



Meu saudoso pai era meio metido a comunista. Coadunava o seu pensamento com os grandes homens da esquerda. E protagonizava episódios do tipo: quando nos mudamos para São Paulo, corria o ano de 1972/1973, fomos morar na Vila dos Remédios, numa rua que, depois, passou a se chamar General Ernesto Geisel. E, coitado dos caras da prefeitura, inventaram de colocar uma placa com o novo nome da rua justamente na casa do José Marcos Coutinho. Meu pai simplesmente não permitiu e, aos borbotões, dizia que na casa dele rua com nome de general não podia, que isso, que aquilo. Seu Marcos ficou uma arara. E quem disse que colocaram a placa?

Devo toda a minha formação intelectual ao meu pai. Foi por meio de seus discos e livros que pude ter os primeiros contatos com o mundo das artes. Foi lendo o jornal que religiosamente trazia todos os dias do trabalho, é que pude me familiarizar com a informação e, também, ler os grandes articulistas daquele tempo de ouro do jornalismo brasileiro. Hoje em dia, honrosas exceções feitas cá e lá, o cardápio é de se lamentar.

Portanto, vocês podem imaginar que tudo o que eu ouvia na minha vida era música brasileira. Cresci com Ataulfo Alves, Nélson Gonçalves, Nilo Amaro, Dilermando Reis, Juca Chaves, Ângela Maria e outros do tempo do meu pai. Poucos devem se lembrar, mas naquela época as editoras lançavam MP’s (um disco que ficava entre o tamanho de um LP e o de um compacto) em bancas de jornais. Além do MP, havia um portentoso encarte com a história do artista daquela semana ou quinzena. Meu pai comprava essas coleções e foi por meio delas que pude ter acesso, na ocasião, a compositores mais modernos, quais sejam, Chico Buarque, Caetano Veloso, Nara Leão, Paulinho da Viola, Ivan Lins, Gilberto Gil, Milton Nascimento e intérpretes como Clara Nunes, Gal Costa, Maria Bethânia, Elis Regina e outros.

Demorou um bocado de tempo para que eu me aventurasse em searas internacionais, não obstante o auge da música americana na década de 1970 no Brasil, dos grandes grupos de rock e dos concertos ao ar livre mundo a fora. Bem que se diga, até hoje 70% do que ouço é de música brasileira. Noves fora um pouco de Beatles, o primeiro disco internacional que comprei e curti à vera foi o Paris do Supertramp, ao vivo de 1980.

O DMV desta quinzena versa sobre este discaço do Supertramp: Paris, Live, A & M Records, 1980, produzido por Peter Henderson e Russel Papa, álbum duplo.

Paris é considerado um dos melhores discos ao vivo já gravados no mundo, em todos os tempos. E a música do Supertramp me conquistou desde que ouvi pela primeira vez. Este disco é um registro da turnê do Breakfast in America, álbum lançado em 1979 e que vendeu mais de 6 milhões de cópias. O Paris foi gravado em 29 de novembro deste ano, porém só foi lançado em setembro de 1980.

A complexidade sonora do Supertramp sentiu-se à vontade neste disco. Bem tocado, bem sonorizado, fez com que canções de muito sucesso ganhassem outra roupagem e ficassem novamente fantásticas.

E a incrível jornada começa: School, Ain't Nobody But Me e não consigo esquecer aquele fervor do público e a voz de Hodgson: − Bonsoir Paris... quando começa a tocar The Logical Song. É de arrepiar!! Depois Breakfast in América, Hide In Your Shell. Segura que vem Dreamer e a minha preferida: Take The Long Way Home. Um disco de mais de uma hora e meia que você ouve sem perceber que o tempo passou de verdade. O único senão deste disco é o fato deles não terem gravado Goodbye Stranger. Não entendi o porquê até hoje. Mas de cabeça de juiz e de bunda de neném, podemos esperar qualquer coisa...

Ouvir o Paris é como estar numa suíte musical. Uma acomodação de sons que percorrem seus melhores sentidos. Paris representa o auge de uma banda que sempre evitou o sensacionalismo, que fez muito sucesso (até mais do que os Rolling Stones, por exemplo, mas não fazia disso uma marca e não criava fatos midiáticos artificiais) e que soube preservar a si própria e, por conseguinte, aos seus integrantes.

Roger Hodgson, Bob Siebenberg, John Helliwell, Rickie Davis e Dougie formaram um banda da pesada com um som original e sonoridade rica e bem arranjada. O tom singular da voz de Hodgson é marca registrada do Supertramp.

Quem não amou, ame. Quem ainda não deu, dê vexame.


O álbum duplo Paris de Supertramp você baixa aqui:


Marlos Degani é poeta e cronista, espalhou letras por aí e em breve teremos algumas músicas de peso de sua autoria em parceria com músicos do primeiro quilate de nossa MPB (Música Popular da Baixada). Para conhecer suas andanças, sintonizem em:

O poeta está no My Space http://www.myspace.com/marlosdegani
O poeta está no YouTube http://www.youtube.com (digitar Marlos Degani)
O poeta está na página do Desmaio Públiko do Orkut http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=3247729
O poeta está no Baixada Fácil http://www.blogger.com/goog_1741428297
O poeta está no Twitter @MarlosDegani

E assim foi o Zarayland 18! Merci beacoup!

sábado, 3 de março de 2012

Edição Desessete (dedicada ao amigo Luis XVII de Nova Iguaçu)

A edição desessete está prontinha. Mexi nela completamente empurrando posts para as próximas edições. Mas valeu a pena. Acho que quando um assunto se torna muito relevante ou prioritário, vale mudar tudo e até atrasar a edição. E foi isso que aconeteceu por causa de um filme: “Só Dez por Cento é Mentira” de Pedro Cézar, um documentário sobre o poeta Manoel de Barros. Tive que remodelar todo o periódico. Mas isso é o Zarayland, um lugar para eu contar minha história e indicar para vocês, coisas que me tocam. Aproveitei para contar um pouco sobre os carnavais que passei por aqui e acho que ficou duca. Vamos a ela:

1) Falo sobre minhas pulações pelo carnaval pernambucano, o que foi bom, o que é bom e o que não é tão bom assim (ou que ainda não tive sorte para ser).

2) Na coluna “Meu Povo” falo de nosso Pedacinho de Jabá, a poeta Lírian Tabosa.

3) O filme “Só Dez por Cento é Mentira” que mudou completamente o rumo desta nau.

4) Umas fotos que tem a ver com o filme supracitado.

5) Nova coluna no Zarayland: Memórias de Robson Luy. Robson é um dileto amigo que escreve levemente sua biografia em pequenos textos apaixonantes. Tenho alguns aqui comigo e vou - com esta coluna - exigir que ele continue sua saga, remexendo seu HD Mental.

6) A, já, tradicional coluna DMV de Marlos Degani fecha a edição falando sobre o Rei Roberto Carlos. Me empolguei tanto que fiz até uma coletaneazinha com as faixas indicadas pelo poeta que deixo aqui para vocês baixarem.

Espero que gostem tanto de ler quanto gostei de escrever. Divirtam-se e se puderem deixem um comentariozinho pro escriba aqui se empolgar.

Um beijo um queijo e um beliscão de caranguejo!
Zaray

Carnaval em Pernambuco

O Carnaval em Pernambuco é fascinante. A chancela Carnaval Multicultural é merecida. Não conheço outro lugar do Brasil com tal perfil. Diversas possibilidades, diversos shows, diversas manifestações. É claro que o frevo fala mais alto, mas tem espaço para o Maracatu, Caboclinho, Brega, Samba, Axé, Rock, Rap, Música Eletrônica, MPB e até Blues e Jazz (que na verdade é divulgado como um carnaval off, para quem quer fugir das loucuras momescas, a cidade de Garanhuns promove o Garanhuns Jazz Festival durante o carnaval). É este caldeirão que torna o carnaval daqui, mágico.

PRIMEIRO CARNAVAL:
Meu primeiro carnaval aqui em PE foi em 2009. Entrei no racha de uma casa em Olinda e pude conhecer o poder daquele lugar e de seu carnaval. Foi um espetáculo único com o qual sempre sonhei participar. Meus amigos Claudio Lyra e Mari Dias estavam me visitando e puderam desfrutar de dias de farras pelas ladeiras da cidade. Eu fantasiado de Sheik, Denise de Marinheira, Claudio de Múmia e Mari de Macaca. Isso na companhia do cicerone Fernando Malafaia e de usa esposa Margarida. Foram lindos dias. Fomos também ver o encontro de Maracatus Rurais na Casa da Rabeca, terreiro sagrado de Mestre Salustiano. Coisa linda aquele lugar. Arrepiante.

O GALO DA MADRUGADA:
Eu não dou sorte com o Galo da Madrugada. No Galo você pode pular de várias formas. No asfalto, nos camarotes, nos trioelétricos e na Galinha Dágua. A Galinha Dágua é o seguinte, Recife é recortada pelo rio Capibaribe e é exatamente pelas suas pontes e margens que o Galo desfila, então as pessoas vão de lanchas e barcos para o rio, pular dentro de suas naves. E no primeiro ano tentamos ir para a tal Galinha Dágua a convite de Marcos Sultanum. Enchemos o barco de bebidas e tiragostos e partimos lindamente. Na altura de Olinda entrou um saco plástico no motor que fez super aquecê-lo. Resultado, ficamos a deriva e o que se viu depois foi um festival de vômitos. Galo 1, Cézar Ray 0.

No ano seguinte a convite de Gilvan Aleixo (nosso Giva) e de Amara Dani fomos tentar o asfalto. Num sábado escaldante o calor vindo do sol, do alfalto das pessoas era tão intenso que nem cerveja estava descendo. Tive que pedir arrego, peguei um taxi e fui para a praia de Boa Viagem me recuperar. Galo 2 x 0.

Ano passado resolvi nem tentar. No final da tarde André Ribeiro, meu vizinho apareceu aqui em casa bêbado, feliz como um pinto no lixo dizendo que foi o melhor carnaval de sua vida, no camarote do Galo. Contou tanta coisa boa, seus olhos brilharam tanto que me arrependi de não ter ido. Galo 3 x 0.

Este ano, ainda com as lembranças dos adjetivos proferidos pelo André e a convite de meu patrão, Bartolomeu resolvi aceitar ir para um camarote ver o Galo. Só que o camarote (do Pezão – Nota; Pezão é um dos quiosques mais famosos e diputados da praia de Boa Viagem) não foi legal. Um prédio antigo no centro da cidade, quatro andares. Tudo muito estreiro e apertado, calor, não dava para ver nada, banheiros cheios (de tudo) e escadas, muitas escadas. Galo 4, Cézar Ray 0. Este Galo está me cozinhando...

PRÉVIAS: O GUAIAMUM TRELOSO:
O Carnaval deste ano na verdade começou – para mim e para meio-mundo – nas prévias. Fui em duas: “Guaiamum Treloso” e “Enquanto Isso na Sala da Justiça”. Ambas pagas. No GT, shows de Mombojó (que não vi, pois foi a primeira atração da noite) seguido pelo DJ 440 que fez um set bacanudo, mas foi prejudicado por um som abafado. Sem brilho. A produção deu mole. Depois de 440 o tão esperado francês Manu Chao fez um show animadíssimo, festivo, bem feito porém deixou de tocar clássicos que fizeram falta na avaliação final. E para fechar a noite a banda olindense Eddie, que em casa com a torcida toda sua, fez um showzaço com direito a todos os hits e participação do mestre Erasto Vasconcelos. Dez.

Além deste line de primeira, o lugar escolhido foi muito bom. Uma área verde aberta nas margens do Capibaribe e do Açude de Apipucos e eu estava cercado de amigos queridos que deixaram a noite mais especial ainda. O Guaiamum Treloso é uma prévia que pretendo ir todos os anos, pois ano passado o Show de Otto foi de tirar o fôlego, ofuscando até o rei do baile Nando Reis que veio depois.

PRÉVIAS: ENQUANTO ISSO NA SALA DA JUSTIÇA:
A “Sala da Justiça” é aquela prévia que todo ano eu e Denise queremos ir e na hora H alguma coisa acontece que nos impede. A “Sala” é um bloco criado para as pessoas se fantasiarem de super-heróis e que sai no domingo em Olinda. Mas sua prévia já é mais famosa e disputada que o próprio bloco. Este ano os shows foram: Original Olinda Style que abriu com sonzeira olidense (o combo é formado por músicos da Orquestra Contemporânea de Olinda e pela banda Eddie) animando os personagens sedentos por boa música. Logo depois Os Paralamas do Sucesso, tocaram o disco Selvagem? De 86 na íntegra e para fechar a noite, Otto com seus poderoso show “Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos”.

Mas a grande magia desta prévia não são os shows propriamente ditos, mas sim o show do público. Tanta fantasia legal, que não se prendem só a super-heróis, encontra-se de tudo por lá, tanta criatividade, tanto cuidado como há tempos não via no carnaval. É impressionante. Eu tirei fotos com todos que eu achava bacana. Juntei pessoas que tinham fantasias complementares mas estavam separados, como o Batman, o Charada e a Hera Venenosa ou ainda Darth Vader e os soldados da Tropa Imperial e até prometi que ano que vem vou preparar minha fantasia com esmero e bastante antescedência!

BEZERROS
Não posso deixar de falar de Bezerros, cidadezinha que fica entre Gravatá e Caruaru no agreste pernambucano. Domingo é o dia do carnaval de lá levar milhares de pessoas para suas ruazinhas e ladeiras para pular juntas aos Papa-Angus. Fui em 2010 e 2011. No primeiro ano foi show de bola, ficamos num camarote bacana, com amigos (alugamos uma van) do trabalho e de fora e a farra foi boa demais. Já m 2011, estava muito mais cheio e quente. O mesmo camarote estava abafado por um camarote oficial da festa, alto que impedia a circulação de ar. Resumindo, este ano dei um pause em Bezerros. Mas não deixa de ser um carnaval bacana.

FESTIVAL RECBEAT
No auge do Movimento Mangue Beat o produtor Gutie criou um festival para dar visibilidade a efervescência musical que acontecia em Pernambuco. Aproveitando o carnaval, onde Recife transborda de turistas, o festival levou ao seu palco todo o time do movimento, Chico Science e Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, Mestre Ambrósio, Eddie entre tantos outros. Hoje o RecBeat faz parte da programação oficial do carnaval recifense com shows de artistas locais, de outros estados e até mesmo de outros países. Eu peguei uma gripe chata no domingo de carnaval e passei a segunda me recuperando (por isso perdi o show de Junio Barreto e da Nação Zumbi no Pólo Várzea), mas na terça-feira tinha show de Criolo no RecBeat e eu tinha que ir. E fui. Criolo justificou o porque de tanto barulho em torno de seu nome. Com um show arrebatador, desfilou seus hits e músicas obscuras do primeiro disco quando ainda assinava Criolo Doido. Eu, como sempre, saí um pouco antes para não cair nas garras dos taxistas oportunistas. Thiago Guerra me disse depois que eu perdi muita coisa. Fico pensando que se o que vi já foi um showzaço se ficasse e assistisse até o fim o que iria achar? Jamais saberei. Só sei que foi um puta show!

E é isso!

Meu Povo: Lírian Tabosa



Quando comecei a frequentar a Casa de Cultura de Nova Iguaçu (aquela que era ao lado da Praça do Skate) conheci alguns artistas importantes de minha cidade. Os artistas plásticos Raimundo Rodrigues; Julio Sekiguchi; Fátima do Rosário; Deneir, os atores Alexandre Mímico e Josy Lozada, os poetas Almeida dos Santos; Idicampos e a poeta Lírian Tabosa!

Fiquei muito impressionado pela poeta Lírian Tabosa, uma senhora com mais de 60 anos, com uma cabeça muito jovem, disposição de menina e talento e tesão de sobra. Até hoje ela é assim, incasável. Tabosa dava aulas de Yoga e de Esperanto (sim, ela fala esperanto) na Casa de Cultura e tinha acabado de lançar um livro em parceria com Moduan Matus. Fui apresentado a ela pelo Moduca e minha primeira impressão foi que ela não tinha ido com a minha cara.

Ledo engano!

Viramos muito amigos e ela até me chama de “Meu Filho”. Nós a chamamos de “Nosso Pedacinho de Jabá”. Nordestina do Ceará ainda tem aquele sotaque gostoso com sabor de jangada e brisa marinha. Seus poemas são hora de protesto, hora tristes que doem, hora engraçados, hora apaixonados que fazem todos se levantarem para aplaudi-los quando encerra suas apresentações sempre tão emocionadas!

Na época da ditadura militar se exilou em alguns países da América Latina e teve a oportunidade de conhecer dois ícones da resistência e do comunismo: Che Guevara e Pablo Neruda. Ela é comunista convicta e uma boêmia inveterada. Adora virar noites bebendo, fumando seu cigarro na piteira e jogando conversa fora. Isso me fez lembrar de uma história que aconteceu na Casa de Cultura.

Tabosa encerrara sua aula de Yoga e suas alunas a tinham como uma guru espiritual e tal. Ela encontrou com a gente (Eu, Eloy, Moduan, Blue) no bar da “Casa” bebendo umas e se juntou ao grupo. Nisso uma aluna entrou e deu de cara com a Poeta sorvendo tranquilamente sua cerva e exclamou: “Dona Lírian!!! A Senhora está bebendo!!???” e ficou ainda mais espantada quando viu um cigarro aceso em seus dedos: “FUMANDO??? Como assim???” e nossa guerreira não se fez de rogada e mandou: “Eu bebo, eu fumo e faço tudo que o corpo pede. É preciso alimentar a alma e a carne para conseguir o equilíbrio!”. Eita, sabedoria!

Criamos uma reunião chamada S.P.I (inspirada nas reuniões do filme Sociedade dos Poetas Mortos, no nosso caso dos Poetas Íntimos) e nos reuníamos em lugares diferentes a cada vez. Uma dessas foi na casa dela e lá existia um cantinho de meditação e oração, onde funcionava também sua biblioteca. Um lugar sagrado. O poeta Alcides Eloy precisando de espaço para preparar uma caipirinha entrou neste quarto e ficou lá no chão esmagando os limões. Tabosa entrou e perguntou pro rosado amigo: “O que você está fazendo aí dentro, meu filho???” e o Eloy: “Caipirinha!” Ela pensou, pensou e ponderou: “Ah então tudo bem, pode continuar!”. Essa é a Tabosa!

Sinto muita saudade dela. De seus conselhos e dicas. Quando vou ao Rio nem sempre consigo vê-la, mas sei que mesmo distantes, estamos para sempre intimamente ligados pelo amor e pela poesia! “Engula, minha filha, engula!!”
A Cansada Espera

Esperei por ti
uma tarde inteira,
dois dias, três,
um mês, um ano,
mais ainda
e tu não viestes.

Como eu, milhões de apaixonados
esperavam por um momento
de alegria e de prazer.

Em teus braços queria cair,
queria te sentir e te abraçar
e num abraço bem forte
nada mais queria
que profundamente gozar.

Não!
Não só eu estava a esperar,
mas, milhões de apaixonados
aguardavam tua chegada.
Porém um dia tu virás,
então veremos quanto valeu a pena
esperar por ti,

Oh LIBERDADE!

Lírian Tabosa

Bibliografia:
1 - Libertas Quae Sera Tamen
2 - Lírian Tabosa X Moduan Matus
3 - Pequena Mostra Poética
4 - O Quarto
5 - Umas e outras
6 – Lírios

Manoel de Barros e o Filme Só 10% é Mentira


A Ana Oliveira havia me avisado: “Este filme é para chorar”. Não deu outra. Difícil para mim não ficar transtornado com o filme. Ele é de uma delicadeza extrema. Algumas vezes me lembrou “De Alguns Poetas da Terra da Laranja” de Tigú. Fotografia maravilhosa (vejam as silhuetas dos meninos com a bóia e a “Palmirolândia”), entrevista heróica (“Tudo bem Manoel era só um sonho”) e direção e roteiro expertíssimos de Pedro Cézar (meu xará).

Mas sobre do que o filme trata é que me levou as lágriams prometidas pela Aninha. Não quero desvalorizar a película, longe de mim, mas existem filmes que valem tanto pela história que fica difícil colocar na balança o que é melhor.

Quero justificar todo este preâmbulo, porque tive que mudar toda a edição 17 do Zarayland por conta de tê-lo assistido. Mexeu demais comigo vê-lo na terça-feira de carnaval em minha casa. Já meio chapado e emocionado com a “desbiografia” de um poeta que conheço há tanto tempo e que só veio reafirmar tudo que sabia ou o que achava que sabia sobre ele: sua humilde genialidade.

Conheci os poemas e o poeta Manoel de Barros muito antes deste filme. Comprei uma penca de seus livros e emprestei vários e dei outros na minha ansia em repartir o belo. Não tenho um, sequer, hoje. Vê-lo na tv (Canal Brasil) me trouxe tudo de volta, a alegria da poesia pela palavra, o parque de diversão do verso, a construção só possível pela poesia pura e nada mais.

Por muito tempo andei divagando em constuções poéticas métricas que não me levaram muito longe. Manoel de Barros foi tão além que me emociono ao escrever sobre sua desconstrução. Mais uma vez fiquei surpreso com sua dedicação a poesia livre de amarras e fórmulas matemáticas, a poesia que pode voar pousar nadar ser, em função do belo.

“A poesia é o belo trabalhado” diz ele a certa altura do filme.

Manoel de Barros conta que “comprou seu ócio” para dedicar tempo integral a poesia. E explica que há várias maneiras sérias de não dizer nada, mas que só a poesia é verdadeira. Ou ainda que “tudo que não inventa é falso”! E isso junto a questão de que só viveu até hoje a infância nos faz reolhar o mundo. Ou melhor transver, como escreveu muito bem: “O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê. É preciso transvê o mundo!”

Mesmo escrevendo de forma completamente diferente do meu amigo e poeta Marlos Degani, lembrei deste várias vezes durante o filme, quando: “Me procurei a vida inteira e não me achei. Pelo que fui salvo!” ou ainda “A poesia é uma armação de palavras, com um canto dentro!”. E por aí foi.

Com imagens bonitas, quase somente giffs, com a narração do diretor, Manoel de Barros desfila simpatia e bom humor. O time de depoentes é bacana, destaques para a observação empolgante da jornalista Bianca Ramoneda sobre como o poeta nos dá a possibilidade de olhar as coisas com outros olhos, deixando o mundo imenso: “Isso é libertador!”, ou quando a escritora e roteirista Adriana Falcão diz que descobriu Manoel de Barros muito tarde, mas mesmo assim foi uma das coisas poderosas que aconteceram em sua vida, comparando o evento ao nascimento de seus filhos ou mesmo a morte da mãe.

Os personagens que alimentaram Manoel de Barros com suas histórias e suas incompletudes são um caso a parte. Como o faz tudo da fazenda Palmiro e o conhecido (para quem acompanha a obra do poeta) Bernardo, além de seu filho João de Barros que atirava pérolas para o caçador de incorreções. Stella Barros, sua esposa contando como descobriu que ele era poeta é um achado que me fez lembrar a crônica “Meio-Poeta” de Luis Fernando Veríssimo. Muito bom.

Tentei comprar o filme na Livraria Cultura, eles me garantiram por telefone que tinham o DVD e fui até lá. Não encontraram. Pedi então para a minha amiga Marina Gargantini baixar para mim. Ela baixou, mas não consegui abrir de jeito nenhum. A saída foi revê-lo em partes no Youtube o que fiz com prazer e deixo os links aqui para que vocês possam também saborear e quem sabe chorar com este documentário primoroso sobre um homem que nasceu com uma anomalia incurável: Nasceu Poeta!!! Boa sessão!

“O tempo só anda de ida
A gente nasce cresce amadurece envelhece e morre.
Para não morrer tem que amarrar o tempo no poste.

Eis a ciência da poesia:
Amarrar o tempo no poste.”

Manoel de Barros.


Site oficial do filme: http://www.sodez.com.br/

Fotos tipo as fotos do filme sobre Manoel de Barros

Em determinada parte do filme “Só Dez por Cento é Mentira” Manoel de Barros decreta que o poeta tem o dom de transformar as coisas. Ele acha isso uma disfunção cerebral, que o poeta não é um ser normal pois tem um olhar enviesado. Vidente. Vê coisas que não existem. Aí o diretor pega imagens de manchas em paredes e faz desenhos com as manchas. Como uma casa, um elefante, uma lata, um cachorro. Sempre vejo isso, geralmente vejo rostos em lugares inusitados. Seguem dois exemplos que fotografei.

Quando acordei vi esta imagem que era um rosto feito da coberta que havia jogado no chão durante a noite, pelo calor e era uma cara com boca aberta. Fotografei a cara e o bolo de coberta de frente (primeira foto).


O André Ribeiro (meu vizinho) chegou na minha casa, tirou a camisa e jogou no sofá. Como ela caiu eu vi o rosto e disse: "André, você está vendo a cara de um velho?" e ele: "Caraca! Estou!". Fotografei!